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Armando.villanova 3cavalos @ 00:11

Qua, 14/12/11

Nesta Noite que se

anuncia

Tu Cervo,não terás

as sementes!

Porque eu as colhi.

Pertenciam-te?

Sim talvêz!

Terás que vaguear

pela Noite toda

em busca delas.

Chegada Aurora

recolher-te-às,com fome,

esperando que a Luz recolha!

Daqui te envio,saídas dos

lábios abertos dourados,

nos primeiros frios

Setembrinos

para que continuem os

Bosques Primordiais!

 

 

 

 



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Armando.villanova 3cavalos @ 17:14

Dom, 21/08/11

palavras:

longinquas e velhas.

crueis.

que dormem sem prazer ,

nem malicia.

curvas ,que vivem

impunemente.

palavras com corda,

mas sem vida própria.

palavras;

assexuadas.

não fecundadas.

sem musica pura.

sem movimento.

sem a sinfonia

da transformaçao.

sem particulas de terra

e chuva dentro!

palavras;

a um só Deus!

que distraem,mas que

nos deixam sem amparo.

............................

..............................

............!

palavras inaugurais:

palavras que se

inaugurem,já!

soltas como as corças

na planície.

de terra e de corpo.

de silêncio para  encontrar

a vida.

prenhes de alegria!

com seios frágeis e bonitos!

palavras:

que rasguem!

para parir,

um Mundo,outro.!

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 




Armando.villanova 3cavalos @ 20:40

Dom, 01/05/11

Quem fará justiça às vitimas inocentes?

 

Púnhamos tudo naquilo que faziamos,

púnhamos de nós e de outros.

às vezes ficávamos com as costuras

à mostra.

quando tentávamos ser

nómadas sem tempo!

E hoje

precioso companheiro?

Quem fará justiça às vitimas inocentes?




Armando.villanova 3cavalos @ 23:15

Seg, 21/03/11

 

 

 

 

 

               Gota de água suspensa

              

              

               Às vezes exijo às pernas

              

               cansadas 

 

               Que avancem com

                

                determinação      

 

                para uma dança que

                

                esqueceram.

                

                Mas insisto,persisto

               

                e assim existo!

 

                Seguindo uma carretera

                

                com destino clandestino.

 

                Como gota de água

 

                 suspensa

 

                 Num sorriso magoado!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

     




Armando.villanova 3cavalos @ 00:00

Ter, 15/02/11

Desejei-te.

 

Corta-me o cabelo

 

Nunca arranjo vez.

 

Será porque estão a

 

ficar brancos?

 

-Não, o corte do teu cabelo,

 

não entra aí, hoje!

 

Pega!

 

(será que me confundiste

 

com as arvores, com os homens

 

antes da linguagem?)

 

Pousaste no meu cabelo

 

ao vento.

 

Aí entraste.

 

Pega Azul

 

e fizeste ninho!

 

 

 

 

 

 


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Armando.villanova 3cavalos @ 23:18

Ter, 01/02/11

Estas são as mulheres do meu país.

Verdadeiras heroínas, entre milhares, a quem Portugal tanto deve e para as quais só há esquecimento e nenhuma gratidão.

  • Mária, analfabeta, 80 anos, mãe de dez filhos, serviram na guerra, produzem riqueza em tempo de paz.
  • Maria, 73 anos, viúva, vive só, filha e mulher de emigrantes. Do pai conhece o nome quando escrevia e lia as cartas, ainda menina, a sua mãe, vindas do outro lado do Atlântico.
  • Pureza, 83 anos, solteira, filha de pai emigrante, vive só. Trabalhou 71 anos, amou meninas e meninos de outras mães, embalou-os no choro, acarinhou-os na birra, afagou-os na solidão deles e dela. Os meninos e meninas que amou – se houvesse gratidão – não permitiriam que Pureza não soubesse escrever e ler o seu nome.
  • Rosa, 40 anos, desempregada, mãe solteira, sabe o som do seu nome, sabe que é uma flor, mas não sabe desenhá-lo com letras. Não sabe o que é a contracepção, a sida, as doenças sexualmente transmissíveis.
  • Deolinda, 65 anos, mãe de Rosa e mãe de mais nove filhos. Filha de pai emigrante, que sabe existir, porque a avó de Rosa lho mostrou num daguerreótipo vindo do Brasil e que Deolinda não pode agradecer porque não sabe desenhar as letras que lhe permitissem formar as palavras: Obrigado Pai.
  • Laurinda, 78 anos, viúva, vive só, filha e mulher de emigrantes, do seu nome gosta do som e gosta que alguém lho desenhe. Não teve acesso à magra reforma ou subsídio (já o tentou, mas sem sucesso num país de sucesso). Trabalhou sempre desde que se conhece.
  • Angelina, 79 anos, viúva, mulher de emigrante, vive só. Não sabe de letras, de cinema, de teatro, de pintura, de fotografia ou de museus. Como as suas companheiras, de cujos olhos saem rios que não sabem onde vão desaguar, sabe rezar a um Deus que enche de dias as suas mãos vazias.

Mulheres corajosas, estas e outras, que tudo deram e a quem pouco ou nada dão.

Mulheres de quatro estações, que não viram a cara, que amam e sofrem, como quem cumpre um destino a que não se pode fugir.

Peregrinas duma existência, que vai cavando o deserto dos seus dias e ceifando suas clandestinas alegrias.

Todas amaram, umas foram amadas, outras não, algumas não sabem se o foram ou não.

Mas elas amam sempre; amam o pai, o irmão, o seu homem, o companheiro que não tiveram, o filho, o sobrinho, o neto, o afilhado, o aluno.

Estas também são as mulheres do meu país.

Mulher(es) sem voz, nem vez, para vós desenhei também este poema com amor:

Amo-vos

Nas tardes frias de Dezembro

Nas mimosas que florescem em Fevereiro

Nos dias quentes e noites de luar de Agosto

Nas carícias que fazeis ao milho e às uvas, soltando o vinho em Setembro

Na música do vosso rio

Nas estórias do viajante das sete partidas!

No sonho

No gesto suave e leve (que não tiveste) da mão dum pai (quando criança) sobre o cabelo.

 

Publicado originalmente no espaço Lugares d’aqui do Jornal de Penacova nº 56, de 15/01/2001, página 13.




Armando.villanova 3cavalos @ 16:31

Ter, 27/04/10

 

 

 Silêncio!



Aqui as madrugadas são lentas!

E não há caminhos de futuro!

As noites não têm vozes amigaveis!

A liberdade só existe

para quem tem força para a usar!.


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Armando.villanova 3cavalos @ 12:20

Sab, 12/12/09

    Tanta labuta

    Em que a terra se permuta

    Em que o  corpo escuta

    Às vezes sai palavra bruta

    Mas logo a mão afaga

    a dor na ilharga 

    E outrem que passa  diz

    em chalaça

    - Já massa, já massa

    Chalaça que não embaraça

    Porque Rosália tem graça

    Mesmo quando canta

    - Homem ,você está gasto!

    - Gasto? "Doio-me de dor ferida

      que antes tinha a vida inteira

      e hoje tenho meia vida"

    - Mas, gasto, gasto!

      Não! Rosália (de Castro).
      
       Armando de Villanova

  Poema em homenagem aos homens e mulheres desta comunidade que com esforço, sabedoria e amor à terra apanham a azeitona e transformam em ouro líquido. que saibamos preservar esse legado que souberam trazer até nós porque é um acto de cultura.




Armando.villanova 3cavalos @ 17:41

Ter, 26/05/09

 

 

 

Eu que quis,tenho as maos vazias.

Hà saudades nas pernas e nos braços.

Há raivas feitas de cansaços  . 

Que é do sonho,à janela da infancia?

Tudo é nada,

E tudo um sonho finge ser.

Para ouvir o Vento

Valeu a pena existir.

Uma vez amei

Pensando ser amada.

Talvez nao tivesse que o ser.

Pensei que podia inventar

Com esse amor, aquilo que

nao tinha vivido(até aí).

Mas talvez nao houvesse

nada para inventar.

Como as ervas nuas

numa manha de orvalho

Fui livre.

 

 

 


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Armando.villanova 3cavalos @ 17:21

Ter, 26/05/09

Viajas de aero(porto)

em aero(porto).

Como pássaro de árvore

em árvore,mas fechas

a pequena janela,

(do tamanho duma moldura)

do teu quarto de banho.

Aonde uma garça de asas abertas

nâo entraria

e sucumbiria no solo!


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